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Anabolizantes em eqüinos - uma polêmica

Os anabolizantes são substâncias naturais ou sintéticas derivadas de hormônios sexuais como a testosterona que teria por principal (e ideal) função gerar efeito anabólico com mínimos efeitos colaterais.

Esse efeito anabólico nada mais é do que reverter o processo de catabolismo, promovendo anabolismo protéico e estimulando o apetite quanto há disposição de uma dieta rica em proteínas e calorias.

Os esteróides anabolizantes androgênicos tem origem na testosterona, onde vários grupos de pesquisa tentaram alterar a sua formula química a fim de manter o efeito anabólico e evitar os efeitos indesejáveis geralmente relacionados ao comportamento androgênico que caracteriza a testosterona.

Esses esteróides foram, primariamente, desenvolvidos para casos onde é necessário o aumento da massa muscular, fortificação do tecido ósseo e aumento da produção de células vermelhas do sangue e nunca visando à alteração das características atléticas de um animal, caracterizando o ?doping?.

Esses esteróides são metabolizados no fígado, sendo eliminados, em sua maior parte através da bile ou da urina.
O aumento da massa muscular não se deve ao aumento do número de fibras, e sim ao aumento individual de cada fibra, gerando um aumento notável em todo o grupo muscular, porém o aumento da força não é proporcional ao aumento da massa muscular. O aumento no crescimento ósseo se dá pela maior retenção de cálcio pelos ossos. Claro que o crescimento ósseo longitudinal apenas ocorre se linhas de crescimento (discos epifisários) continuarem abertos e cartilaginosos. Porem, altas doses de anabolizantes geram um fechamento precoce desses discos. Não se sabe ao certo como e porque ocorre aumento na produção de células vermelhas sanguíneas. Esses esteróides ainda geram aumento na retenção de sódio e água (portanto contra-indicado para animais com edema ou doenças cardíacas), aumento do apetite, alteração do comportamento sexual e aumento da agressividade.

O efeito dos anabolizantes nos animais depende de alguns fatores como:
 

? presença ou não de castração;
? raça;
? espécie;
? sexo;
? idade;
? tipo, qualidade e freqüência do anabolizante utilizado;
? existência ou não de associações medicamentosas;
? e principalmente depende da alimentação fornecida. Um bom nível de nitrogênio protéico (sal protéico, boa pastagem, boa ração) para que se produza seu efeito.



Os efeitos indesejáveis ocorrem com certa freqüência e são geralmente resultado de altas doses dos andrógenos. Nos casos de animais jovens, pode gerar um fechamento precoce dos discos epifisários, gerando adultos com estatura diminuída, o aumento de peso rápido pode gerar epifisites, alterações no desenvolvimento genital como por exemplo, crescimento peniano precoce e ereções freqüentes. Em adultos pode ocorrer aumento da massa muscular e não acompanhamento de aumento ósseo, podendo gerar rupturas dos tendões. Nas fêmeas tratadas com doses baixas de hormônios podem apresentar aumento da agressividade, comportamento masculinizado como montar em éguas no cio. Em doses altas provoca parada da atividade ovariana, presença de ovários pequenos e firmes, trato genital flácido, níveis plasmáticos de progesterona baixos, éguas com ciclos irregulares, presença de cio não evidente ou ausência de cio. Deve-se dar atenção especial ao seu uso em machos inteiros, pois estes esteróides levam a diminuição da circunferência escrotal, menor número de espermatozóides, menor contagem de espermatozóides viáveis, espermatozóides com maior índice de patologias, etc.

Outro ponto no qual o uso de anabolizantes é criticado se refere á seleção de animais. Uma vez que os animais que recebem essas drogas têm uma melhor performa física, estes acabam sendo selecionados como reprodutores, o que acarreta em uma seleção baseada em animais ?falsamente? campeões. Já que as características apreciadas em um animal no qual foi usado anabolizantes são provenientes do uso dessas drogas, essas não serão transmitidas aos seus descendentes. Tanto esse fato é importante que associações de criadores de cavalos de diversas raças estão tornando comuns testes antidoping em provas e exposições, tentando evitar o uso destas drogas como adjuvantes nas performances de seus animais.

Após as explanações citadas de forma sucinta, o uso de anabolizantes de maneira terapêutica é justificado pelos seus fins, mas sua utilização como melhora do físico dos animais não mostra ter muitas vantagens em relação aos riscos. O veterinário é o profissional indicado para definir a real necessidade do uso, as indicações e sua aplicação clinica.

Agora a discussão fica para todos os proprietários, veterinários e admiradores de cavalos. Do que adianta ter um animal fisicamente desenvolvido artificialmente já que este não necessariamente será um bom reprodutor? Se obtivermos uma boa genética aliada a uma alimentação balanceada e de boa qualidade que não limite a performance do animal este exibirá excelente qualidade física e esportiva e mais importante, terá estas qualidades impressas em seus genes, podendo passar estas qualidades naturais a ele para seus descendentes.

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Artigo escrito por: M.V. Patricia Medeiros Camin - CRMV/SP 17.035
E-mail: vetcamin@gmail.com
Assistência Veterinária Especializada em Medicina Eqüina
Contato: (11) 9345-7999

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