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Genética de Pelagens

       O mecanismo genético que governa as pelagens é fascinante e intrigante. Se voce deseja saber sobre a genética das pelagens de seus cavalos, defina qual a pelagem de interesse no campo abaixo, para que o portal possa efetuar a busca. Se preferir voce pode digitar a palavra resumo, para obter informações gerais da genética de pelagens. Para obter informações sobre as particularidades de sinais que incidem na cabeça (estrela, luzeiro, cordão, filete, etc) ou de calçamentos nos membros (baixo, médio, alto) voce deve digitar as palavras cabeça ou membros. Da mesma forma, o portal efetuará a busca para informar qual o mecanismo genético das particularidades de sinais que incidem na respectiva região de localização.

Castanha: É uma pelagem bastante comum, tendo sua origem no alelo A+ que caracterizava o genótipo dos tipos primitivos de equinos. Ao longo do processo da domesticação e da seleção inicial, o homem optou por cores mais claras e atrativas. As mudanças ocorreram devido às mutações sofridas pelo alelo original A+. Posteriormente, o alelo responsável pela manifestação de algumas variedades de pelagens Castanhas  modernas passou a ser representado pela letra maiúscula A, um alelo de dominância relativa, pois afeta a manifestação da pelagem Preta, mas exerce poucos efeitos nas demais pelagens. Geralmente, indivíduos de pelagem Castanha, acasalados entre si, geram produtos apresentando diferentes variedades dessa pelagem. Mas se um dos genitores possui pelagem Composta ou Conjugada, a manifestação da pelagem Castanha será inibida.

Preta: Apesar de não ser uma pelagem que se manifesta de forma recessiva, sua dominância é encoberta pela maioria das pelagens, à exceção da Alazã e algumas 5pelagens diluídas. Daí, a sua incidência ser relativamente rara na espécie equina, até porque poucas foram as raças que sofreram uma pressão de seleção direcionada para essa pelagem. Uma exceção é a raça européia de nome "Friesian", constituída por animais somente pretos. A  procura por indivíduos de pelagem Preta tem aumentado consideravelmente nos últimos anos. Como a oferta é reduzida essa pelagem tem um valor de mercado mais elevado. Na literatura técnica internacional, a pelagem preta é representada pelos genótipos homozigoto ( BB ) e heterozigoto ( Bb ).

Branca: É uma pelagem dominante, sendo epistática para todas as demais, ou seja, se o indivíduo possuir o seu gene inibirá a exteriorização de qualquer outro genótipo básico. A pelagem branca é de ocorrência relativamente rara na espécie equina. Somente os indivíduos heterozigotos ( Ww ) nascem brancos, isso porque os homozigotos ( ww ) morrem ainda no estágio fetal. Assim, teremos a seguinte probabilidade de nascimentos resultantes de acasalamentos entre pais de pelagem branca:
 

Ww ( branca) X Ww (branca)

25% letal - natimortos
50% pelagem branca
50% pelagem branca


Rosilha: É outra pelagem dominante, não sendo epistática somente para as pelagens Tordilha e Branca. Da mesma forma que na pelagem Branca, em condição de homozigose ( RR ) o alelo da pelagem Rosilha torna-se letal para o embrião. Assim, somente são gerados indivíduos heterozigotos ( Rr ), com a seguinte probabilidade:
 

Rr (Rosilha) X Rr (Rosilha)

25% letal - natimortos
50% pelagem Rosilha
25% outra pelagem qualquer


Tordilha: É dominante sobre outras pelagens, sendo que o indivíduo homozigoto ( GG ) produz somente descendentes de pelagem Tordilha. Já o indivíduo heterozigoto ( Gg ) produz uma prole com a seguinte proporção: 75% pelagem Tordilha e 25% outra pelagem. Uma regra básica envolvendo essa pelagem é que para nascer tordilho,  todo animal deve ter, pelo menos, um dos genitores apresentando essa mesma pelagem, à exceção dos raros casos (1% de probabilidade) da ocorrência de mutações.

       O gene da pelagem Tordilha evita que os pigmentos entrem no bulbo capilar, sendo retidos no organismo. Em cavalos Tordilhos acima dos 15 anos de idade, são de incidência relativa os tumores de pele (melanomas), como resultado do acúmulo de pigmentos no organismo. Por essa razão, algumas autoridades referem-se à pelagem Tordilha como sendo uma doença. Em um estudo com a raça Puro Sangue Inglês foi constatado que os indivíduos de pelagem Tordilha viveram, em média, dois anos a menos do que seus irmãos de outra pelagem.

NOTA: Como foi visto os genes das pelagens Tordilha e Rosilha são epistáticos em relação àqueles que controlam a grande maioria das demais pelagens, sendo considerados indesejaveis em algumas raças, particularmente as de pelagens Conjugadas (Pampa e Appaloosa).

Alazã: É uma pelagem recessiva, sendo identificada pelo genótipo homozigoto (ee). O alelo e minúsculo é um mutante, sendo derivado do alelo E maiúsculo dos cavalos selvagens originais, portadores de pelagens de tonalidades negras. Dos acasalamentos entre dois indivíduos de pelagem Alazã sempre serão gerados  produtos com essa mesma pelagem. Essa é uma das regras da genética que controla a pelagem Alazã. Uma outra é o resultado do acasalamento entre um animal Alazão e outro Albino.
O resultado será sempre um animal Palomino: CC (Alazão) X ccr ccr (Albino) =  Cccr (Palomino)    
Já o acasalamento entre dois indivíduos Palominos tem a seguinte probabilidade de ocorrência de pelagens:
 

Cccr (Palomino) X Cccr (Palomino)

25% CC (Alazã)
50% Cccr (Palomino)
25% ccr ccr (Albina)


NOTA: O alelo C é necessário para a expressão dos pigmentos das cores. Já o alelo c resulta na ausência total de pigmentos em várias espécies. Mas nos equinos é o alelo ccr (uma mutação de C), que provoca a diluição dos pigmentos vermelhos, mas não afeta os pigmentos pretos.

Baia: As variedades dessa pelagem são determinadas pelas presenças dos alelos ccr e at . No caso das Baias de tonalidades claras e a Cáqui é o alelo ccr atuando sobre a pelagem Castanha (efeito diluidor). No caso da Alazã Sobre Baia é o mesmo alelo ccr diluindo a pelagem Alazã. A lista de burro e as zebruras são determinadas pelo alelo at, presente no locus A da pelagem Castanha.

Quando o alelo ccr manifesta-se na forma homozigota, seu efeito sobre a pelagem Castanha é em dobro, diluindo-a para uma tonalidade quase branca, que é a Baia Palha. Não são recomendados os acasalamentos entre indivíduos de pelagem Baia Palha ou outras de tonalidades também claras, devido à elevada probabilidade de nascimento de indivíduos Albinos ( quando o genótico é  homozigoto recessivo - ccr ccr).  

Amarilha: É outra pelagem diluída. Sua ocorrência é provocada pelos efeitos dos genótipos homozigoto (DD) e heterozigoto (Dd) que atuam diluíndo  a pelagem Alazã. Na literatura internacional é considerada uma pelagem independente, denominada de Isabella. Na literatura brasileira é tratada como sendo uma variedade da pelagem Alazã, o que procede.

Pêlo de Rato: Também resulta do efeito diluidor dos genótipos DD e Dd, porém atuando sobre a pelagem preta. Aqui existe um erro grave de nomenclatura na literatura brasileira, que denomina de Baia escura ( Baia Nuvem ou Baia Chumbo), às vezes também confundida com a Lobuna, uma pelagem que tem o mesmo mecanismo genético da Pêlo de Rato. Essa denominação é usada para jumentos da raça Pêga.

NOTA: A complexidade da genética das Pelagens Diluídas aumenta quando há a combinação dos alelos D e ccr . Por exemplo, atuando sobre um genótipo de pelagem Alazã o resultado será um indivíduo Palomino de tonalidade mais clara. Já sobre os genótipos de pelagem Castanha, diversas tonalidades claras de pelagem Baia clara serão geradas.

Pampa: Para a pelagem Pampa tradicional (Tobiano), o mecanismo genético é similar àquele descrito anteriormente para a pelagem Tordilha. Já no caso das variedades conhecidas como "Overo", representado no Brasil pelo Chita e o Rosado, que foram denominações criadas pela Associação Brasileira do Cavalo Pampa,  o mecanismo genético é do tipo recessivo ( representado pelos alelos  oo). Já a letra maiúscula O é utilizada para representar o animal de pelagem sólida. É possível que dois pais de pelagem sólida gerem produtos Chita ou Rosado, desde que sejam portadores do alelo para essas pelagens.

       O número e o tamanho das manchas brancas são afetados pela ação de genes modificadores. Quanto maior o número de genes modificadores, maior será o número e a extensão das manchas brancas. Esse fenômeno caracteriza uma ação gênica aditiva.

       É possível que um cavalo seja  portador dos alelos determinantes da pelagem Pampa, mas seja de pelagem sólida, devido à ausência de genes modificadores. Também é possível que um cavalo seja portador de genes modificadores, mas não tenha os alelos determinantes da pelagem Pampa e, portanto, sua pelagem será sólida.

Appaloosa: A presença dessa pelagem depende do gene dominante Ap. Os animais poderão ser tanto homozigotos ApAp como heterozigotos Apap, possuindo ainda um certo numero de genes modificadores que produzem as manchas e as mantas. Um cavalo com o gene Ap poderá ser de pelagem básica caso não tenha em seu genótipo os genes modificadores determinantes da pelagem Appaloosa. Já um animal de pelagem sólida, sem o gene Ap, pode possuir muitos genes modificadores da pelagem Appaloosa em seu genótipo.

       Um outro fato é que o genes responsáveis pela pelagem Appaloosa podem ser sexualmente influenciados. De fato, nos machos Appaloosas as combinações de cores são mais variadas em relação às fêmeas.

       As mantas brancas ao longo da região dorso-lombar e da garupa são determinadas pelo alelo recessivo wb. Uma ação aditiva (wb1wb1, wb2wb2, por exemplo) controla o tamanho das mantas.

       As manchas arredondadas são determinadas pelo alelo recessivo sp, que também exerce uma ação aditiva (quanto mais alelos presentes, maior o numero de manchas). As manchas ocorrem porque o alelo sp afeta a ação dos alelos wb, permitindo que os pigmentos sejam formados em algumas áreas da manta branca.

       Outro fator genético presente nesta pelagem é um gene ligado à pelagem Rosilha -Rnap, provavelmente um mutante. Seu efeito é produzir um contorno "rosilhado" ao redor das manchas escuras sobre o manto branco.

 

Particularidades de sinais nas pelagens



Sinais na cabeça: Essas particularidades ocorrem em formas  variadas sinais brancos, como já foi ilustrado anteriormente. Todos os tipos de sinais são controladas por um grande número de alelos, atuando como modificadores. Ao contrário do que muitos imaginam, estes sinais da cabeça manifestam-se de forma dominante. Por exemplo, um cavalo com um genótipo homozigoto para estrela (StSt) sempre produzirá uma prole com estrelas na fronte.

Sinais nos membros: Geralmente também ocorrem na forma de sinais brancos. A herança o mecanismo controlador da herança genética destas particularidades ainda não está  bem definido. Supõe-se que os genes que controlam o calçamento em um determinado membro atuam de forma independente, não tendo relação com genes que atuam em sobre os sinais de outro membro.

RESUMO:

Pelagens que sempre são reproduzidas quando acasaladas entre si:
ALAZÃ / AMARILHA / ALBINA / CHITA / ROSADA

Pelagens que nunca são totalmente reproduzidas quando acasaladas entre si:
PALOMINA / ROSILHA / BRANCA

Pelagens que são sempre reproduzidas quando em estado homozigoto:
CASTANHA / PRETA / TORDILHA / PAMPA / BAIA

Fontes de consulta:
Equine Genetics & Selection Procedures - Equine Research Publications
O Cavalo de Sela Brasileiro e Outros Equídeos - Ricardo de Figueiredo Santos

 

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