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Considerações sobre fraturas em cavalos
É clássico ouvirmos a frase: Se quebrou tem que sacrificar!
Como todos sabem, possuir cavalos envolve muitas vezes um gasto
geralmente proporcional ao tamanho do animal. Assim, muitas vezes,
uma fratura não significa a impossibilidade de recuperação do
animal, mas sim um tratamento muito dispendioso para o proprietário
e em grande parte das vezes o animal irá se aposentar precocemente.
Existem fraturas impossíveis de serem reparadas, infelizmente a
clinica de eqüinos ainda pára frente ao seu porte e seu
comportamento, mas isso não é a maioria dos casos.
O intuito de um tratamento e redução de uma fratura é a volta da
função normal do membro afetado. Mas assim como no homem, as vezes a
lesão é tão severa, que deixa seqüelas como desvio do eixo normal do
membro, claudicação de leve a severa, levando a impossibilidade da
volta atlética ou até de uma simples montaria para um passeio.
Desse modo concluímos que, realmente, o que levara
o sacrifício do
animal via de regra é o custo-benefício, pois manter um animal
aposentado em uma hípica é muito caro e muitas vezes o proprietário
não tem condições de mantê-lo em uma propriedade.
O proprietário, ao perceber a fratura tende aplicar um analgésico no
cavalo e chamar o caminhão para levar o cavalo o quanto antes ao
hospital. Coloca este no caminhão, e tenta chegar o mais rápido
possível ao hospital. Nesse trajeto, uma fratura simples, que pode
ser reduzida com facilidade e com maiores possibilidades de retorno
a função, pode se tornar tão grave que pode definir a vida ou a
morte do cavalo se não for manejada corretamente.
Como veterinária, já presenciei animais chegando ao hospital com uma
liga de descanso fora do local da fratura. Esses animais tendem a se
manter em pé durante toda a viagem devido à movimentação do
caminhão, a fatura, que muitas vezes era simples se torna uma
fratura grave com vários fragmentos (fratura cominutiva),
impossíveis de reparação. Inclusive já ocorreram animais chegando
com fratura exposta que ocorreu durante o caminho.
Eu entendo que deve ser difícil ouvir isso, mas o correto seria,
manter a calma, manter o animal também calmo e o mais imóvel
possível e chamar um veterinário o quanto antes para que este avalie
a situação e possa confeccionar uma imobilização de transporte
adequada para o tipo e o local da fratura. Essa imobilização irá dar
maior conforto ao animal durante o transporte e tem o objetivo de
evitar que a fratura se complique ainda mais.
Cada tipo de fratura e local lesionado pede um tipo de imobilização.
O que é importante salientar é que os animais com fraturas NUNCA
sejam transportados sem imobilização adequada e a pessoa mais
qualificada para isso é o seu veterinário.
Talvez estas dicas definam as chances de sucesso ou não no
tratamento de seu cavalo até a chegada ao hospital. Lá os
veterinários poderão avaliar e esclarecer sobre custos (que não são
poucos), prognósticos quanto à função e quanto à vida do animal.
Infelizmente a difícil decisão após todas as possibilidades serem
esclarecidas fica somente a cargo do proprietário e é ele quem deve
pesar o custo-benefício do tratamento/resultado esperado.
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Artigo escrito por: M.V. Patricia Medeiros Camin - CRMV/SP 17.035
E-mail: vetcamin@gmail.com
Assistência Veterinária Especializada em Medicina Eqüina
Contato: (11) 9345-7999
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